terça-feira, 5 de maio de 2020

Meu livro em branco



     Pensamentos e lembranças do que foi uma infância feliz.
     Momentos que jamais esquecerei com meus irmãos, primos, amigos, com aquele quintal tão enorme cheio de crianças, com a minha mãe olhando tudo lá de dentro e tendo a certeza que mesmo gritando, pulando, se ralando... estávamos bem. Aquele cheirinho de arroz doce com canela, mais que a gente não podia chegar nem perto da panela pq o chão estava encerado com vermelhão e o nosso pé todo sujo de terra vermelha que vinha do nosso quintal.
Saudades de ver o meu pai chegando tudo sujo pq trabalhava de pedreiro no período da manhã ver ele entrando no banho, saindo correndo para o outro serviço, já que eramos em 6 filhos meu pai trabalhava de mais, para que nada nos faltasse. Quando eu me despedia dele com um beijo e sentia aquele cheirinho de sabonete que vinha da sua barba, aquela barba que eu pensava que ele ja tinha nascido com ela, Meu pai sempre foi lindo e até hoje é o meu Super Herói que não usa capa. Quanta saudade eu tenho daquelas tardes com céu nublado, que eu sentava perto da minha mãe a admirando enquanto ela passava roupa ouvindo Eli Correia no programa (Que saudade de vc) eu morria de medo das histórias mais eu adorava ficar do lado dela.
o meu livro era branco, com poucas folhas escritas talvez até escrito errado pq eu estava aprendendo tudo com a vida, mais mesmo assim era um livro com historias que jamais sairia da minha mente.
     Ainda hoje continuo escrevendo a minha história, um pouco torta talvez, não pelo fato de eu não saber mais escrever, mais pela dureza da vida.
     Hoje continuo sentada ao lado da minha mãe, e continuo admirando-a a cada, hoje não mais passando roupa, mais me mostrando o quanto é uma guerreira, me ensinando como eu tenho que ser forte e quão lindo pode ser o final do meu livro.
     Não sei quantas folhas ainda me restam em branco, Tudo na vida são escolhas, e eu espero ter um final feliz.



Alcy Carneiro

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